1 ano de pacificação no Borel

  • 12 de jun. de 2011
  • Mundo de Noiz

  • Muitos jornais publicaram a comemoração de um ano da implantação da UPP no Borel, nesta semana - 07/06. Na programação, uma série de atividades para "comemorar" o primeiro ano da Unidade de Polícia Pacificadora do Borel. Nas reportagens, enfatiza-se a diminuição dos índices de criminalidade na região, como assaltos a transeuntes e roubos de veículos, a valorização de imóveis e o crescimento e surgimento de novos empreendimentos.
    Sem sombra de dúvidas, a pacificação tem se mostrado como um caminho a ser seguido na gestão da segurança pública. Porém, não há só o que comemorar. Muito se tem que discutir, repensar, reorganizar. 
    É necessário se discutir a ação policial nas comunidades, que continua sendo vista pelos moradores como coatora e discriminatória - os relatos de abusos de autoridade, injúria e cerceamento de direitos são constantes e não são divulgados.
    Faz-se mister repensar sobre a magnitude dos problemas sociais, econômicos e educacionais geradores da violência nas comunidades e a própria violência praticada pelo estado, ao negar, por décadas, a cidadania aos moradores dessas localidades.
    É preciso reorganizar as práticas de abordagem e diálogo nas comunidades. A resistência às mudanças e a própria identidade local, já formada, requerem um manejo cuidadoso. Ainda prevalece a desconfiança sobre a durabilidade da política de segurança imposta, ainda existe o tráfico e a coação velada dos traficantes, que apesar de não ostentar armas, circulam pelas comunidades e mantêm seu comércio ilícito.

    Há muito o que comemorar... mas não só comemorar.



    Palavras de Rodrigo Pimentel

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