Samba pra inglês ver

  • 23 de fev. de 2012
  • Mundo de Noiz

  • E como anda o carnaval?
    A história das escolas de samba do rio de janeiro se confunde com a própria história das comunidades, e é fácil perceber essa ligação nos nomes das escolas, nos seus fundadores...
    Nos tempos em que o samba era marginalizado, os integrantes das escolas de samba também eram. E esses integrantes eram bem típicos e originais. Os poucos rostos conhecidos que se via nos desfiles eram de sambistas que, apesar de conhecidos, não ocupavam lugar de destaque na mídia.
    Mas com o reconhecimento internacional do Carnaval – notadamente o do Rio de Janeiro – como grande festa popular (o que se revelou grande atrativo turístico), a cara da festa popular começou a mudar.
    Maior visibilidade e consequentemente maiores lucros. Passou a ser interessante investir e aparecer nas Escolas de Samba: artistas, aspirantes a celebridade, grupos corporativos...
    A participação de pessoas da comunidade, própria gênese das agremiações, passou a ficar cada vez mais rara e condicionada a participações coadjuvantes. Basta tentar reconhecer nas rainhas de bateria, nas alas (fantasias fazendo parte de pacotes turísticos) e até mesmo nas comissões de frente, alguma referência do lugar.
    Usando a internet para pesquisar imagens do carnaval carioca, notamos que até a década de 1990, o foco era o folião autêntico. Em imagens mais recentes, muitos artistas e “modelos”, que buscam incessantemente o foco de cada câmera.
    Na verdade, todo esse rodeio foi mera divagação que me veio ao lembrar os antigos carnavais, em que as comunidades faziam o carnaval. 
    Cito isso como um tipo de protesto melancólico, vendo a comemoração do título do carnaval carioca pela Unidos da Tijuca em sua quadra de ensaios, cheia de artistas... e na antiga quadra (desativada) no morro do Borel, a comunidade pioneira da agremiação comemorava sem ser notada, sem bateria, mas comemorava com o coração de folião.

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