Racismo? Não, não somos racistas...

  • 10 de dez. de 2011
  • Mundo de Noiz
  • Nesta semana dois novos casos de racismo - um velado, outro escancarado - foram noticiados. O primeiro caso foi o da estagiária  Ester Elisa da Silva Cesário em um colégio na cidade de São Paulo, que foi orientada a alisar e prender seus cabelos para se adequar ao padrões exigidos pela instituição.O segundo, se deu no Rio de Janeiro, através de um cartaz afixado ao lado da estação de metrô na Pavuna. No anúncio eram oferecidas diversas vagas para pedreiros, eletricistas, e bombeiros que, também, se adequassem aos padrões exigidos por condomínios: SER BRANCO. 
    A minha real surpresa foi que, vendo vários links sobre o episódio da estagiária, acabei caindo num artigo do jornalista André Forastieri, do R7, cujo título é "Nem injustiça, nem racismo: o mundo é assim. 
    Me causou perplexidade o fato de um profissional que alcança um público tão diversificado e que tem a força da mídia para espargir boas idéias, difundir bons exemplos, utilize seu espaço para alimentar o conformismo que mantém calada a grande massa. Cidadania é se conformar com os absurdos? Fato reforçado por seu comentário:
    "A questão de fundo é que no sistema vigente, somos todos mercadoria. Estamos a serviço do retorno sobre o investimento. Tem um milhão de infâmias bem piores acontecendo todos os dias. Preconceito deve ser combatido, mas não vejo racismo no caso, sinto muito. Vejo a necessidade da empresa, na forma de sua diretora, de vender matrículas, e para isso precisam de vendedores que convençam os pais, e se for um clone da Giselle Bundchen terá mais sucesso que a Elisa, na visão da empresa. A visão está correta? Os pais são preconceituosos? Ou estamos todos mais confortáveis em fazer negócios com gente com padrão de beleza anglo-saxônico, exportado por Hollywood, seja no Brasil, Tailândia ou Nigéria? Beyoncé faria sucesso igual se tivesse narigão, beiço etc.? Tá tudo errado no mundo? Pode muito bem ser. Acho que já foi bem pior e tem que ser bem melhor. Mas ele é assim aqui e agora e fingir que não é não muda nada. Muito pelo contrário. Racismo, está no dicionário, é a crença de que uma "raça" é superior a outra. Vamos usar as palavras corretamente, por favor.  " (André Forastieri)
    Se for um clone da Giselle Bundchen terá mais retorno? Claro, na visão do ilustre jornalista O MUNDO É ASSIM. Um mundo criado à imagem e semelhança do homem branco, heterossexual, euro-descendente e cristão. Exatamente este "mundo" que tanto nos esforçamos em mudar para que haja igualdade, tolerância e respeito à alteridade.
    O jornalista fez uma analogia do caso da estagiária ao de um jovem repórter que usou jeans ao realizar uma entrevista, e o trabalho não foi aceito pela direção do jornal (que exigia terno dos apresentadores). Mais uma vez infeliz. Tentativa infame de justificar seus argumentos comparando vestimentas às características individuais (tipo de cabelo, cor da pele...) como se fossem artigos cambiáveis para a satisfação dos padrões estabelecidos por um grupo cada vez mais repudiado.
    “noção de outro ressalta que a diferença constitui a vida social, à medida que esta efetiva-se através das dinâmicas das relações sociais. Assim sendo, a diferença é, simultaneamente, a base da vida social e fonte permanente de tensão e conflito” (G. Velho)
    Obs: Fiz um comentário sobre o artigo, no próprio site, mas pelo visto foi censurado.


    1 comentário(s):

    indignação disse...

    Meu Deus! que coisa mais horrível a visão desse jornalista!
    Somos todos iguais perante Deus!!!
    É esse mundo medíocre! hipócrita que devemos deixar para nossos filhos, netos e bisnetos????
    Não deveríamos seguir avante, ao invés de recredir...

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