Copa do Mundo das UPPs

  • 9 de jun. de 2010
  • Mundo de Noiz

  • Um fim de semana de liberdade e futebol. Em clima de Copa do Mundo, as UPPs reuniram crianças, jovens, pais e policiais de 11 comunidades em prol da paixão nacional. No sábado, no Pavão-Pavãozinho, representantes de Cantagalo, Santa Marta, Babilônia, Chapéu Mangueira, Tabajaras e Cabritos participaram da 1ª Copa de Futsal das UPPs. No domingo, no Borel, moradores da Formiga, Chácara do Céu, Morro do Cruz e Casa Branca jogaram para ganhar no ‘Torneio da Pacificação’, uma iniciativa do BOPE com auxílio da prefeitura do Rio. Se antes o contato entre as comunidades dominadas por traficantes de drogas era impossível ou arriscado, hoje a disputa entre morros se dá apenas em campo…e pelo amor ao esporte.
    Na subida do morro Pavão-Pavãozinho, às 8h da manhã de sábado (29/05), os ônibus da PM deixavam dezenas de crianças, que corriam para chegar ao campo de Futsal da comunidade. Os morros Babilônia e Chapéu Mangueira foram os primeiros a marcar presença, com mais de 50 crianças acompanhadas pelos ‘técnicos’, capitão Felipe Magalhães e tenente Hugo Coque.
    O pequeno Alessandro da Silva, de 7 anos, já se sentia em casa na comunidade. Apesar de morar no morro Babilônia, hoje pode visitar diariamente os avós, que moram no Pavão-Pavãozinho. Se perguntar onde fica sua casa a resposta é categórica: – Eu moro nos dois.
    Do time adversário, Pedro Gomes, 6 anos, saiu cedo de sua casa no morro Dona Marta. Era a primeira vez que visitava o Pavão, mas nem parecia. Já chegou correndo pela quadra, vestiu o uniforme do time e até carregou a bandeira do Brasil na abertura dos jogos.
    E assim começava a primeira partida: Babilônia X Santa Marta. Os jogadores – com idades entre 5 e 7 anos – corriam atrás da bola, se amontoavam, caíam e se levantavam.  Com um machucado na perna, Pedro não quis nem saber de sair do jogo.
    - Você está machucado. Não vai poder jogar -, dizia o técnico.
    - Pode deixar que já fiz um curativo e coloquei band-aid – replicava a capitão Pricilla, enquanto assistia e torcia por “seus meninos” em campo.
    - É uma oportunidade inédita poder reunir várias comunidades em uma só. As crianças se animaram logo no início. Ontem à noite ficaram treinando até tarde e hoje, às 7h da manhã, já estavam prontas para sair – contou o soldado Farias, policial da UPP que dá aulas de caratê para jovens da comunidade.
    No domingo (30/05), o Torneio da Pacificação agitou o outro lado da cidade. No Borel, o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, acompanhado de sua esposa e seu filho recém nascido, assistiu todas as partidas.
    - Estar aqui hoje é um sonho realizado, principalmente porque este foi um dos locais sobre o qual ouvi os relatos mais tristes do BOPE e, hoje, dos próprios moradores. Conseguir inverter tudo isso é muito bom -, comentou.
    Beltrame assistiu a todos os jogos e entregou o troféu para o time vencedor da final feminina, conquistado pela Chácara do Céu.
    - Agora temos um lugar seguro e tranquilo para compatilhar bons momentos com a família.” disse sobre o clima de lazer entre todos os moradores das comunidades presentes.
    É o que acha Rafael Rodrigues, 12 anos, morador da Chácara do Céu.
    - Nunca disputei um torneio na minha rua, sempre disputei no colégio onde estudo. Disputar o torneio aqui é melhor porque você pode encontrar os amigos das outras comunidades que nem podia vir aqui!
    Morador do Borel, Caíque Domingues, de 11 anos, esperava há anos poder brincar com os amigos perto de casa.
    “Antes não dava para subir aqui e jogar bola. Agora está em paz e muito mais fácil se divertir perto de casa.”
    Também prestigiaram o evento, o comandante Geral da Polícia Militar, Cel. Mário Sérgio e o ex-jogador do Flamengo, atualmente no Spartak Moscou da Rússia, Ibson, que deu o pontapé inicial ao evento.
    - Estou feliz por estar em um local que agora é tranqüilo. No início era difícil imaginar a pacificação em áreas como essa, mas graças a Deus, a Polícia trabalhou bastante para isso tudo aqui acontecer. Que continuem ajudando as comunidades e principalmente as crianças, que serão as maiores beneficiadas.
    Antes de deixar o evento, o secretário foi cercado pelas meninas do futebol que pediram chuteiras e bolas para jogar. Beltrame se comprometeu a doar chuteiras, bolas e ainda viabilizar a reforma do campo para grama sintética com ajuda de empresas privadas.
    E assim o clima da Copa do Mundo invadiu as UPPs…

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